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De onde viemos

O Globo Azul foi durante bilhões de anos um “Centro de Treinamento Vivo”, onde diversas linhas espirituais buscavam suas poderosas oportunidades de experimentar fisicamente a Unidade Cósmica- entendimento que todas as coisas e eventos do universo são essencialmente a mesma e estão conectadas. A união da consciência e a matéria física, num cenário de belezas naturais esplêndidas, servia como fonte de estudo até dos mais avançados mestres espirituais.

O campo magnético do planeta, carregado de manifestações de compaixão e abundância, produzia um brilho cósmico possível de ser sentido por todo o Universo. Cada vez mais entidades elevadas, popularmente chamadas de “Tae” (seres de diferentes espécies que normalmente habitam dimensões mais sutis, principalmente a 5ª) eram atraídas pela onda de iluminação. A quantidade colossal de energia produzida passou a influenciar a dinâmica energética das colônias espirituais vizinhas num efeito dominó da ascensão.

A janela do universo estava aberta. Os sucessivos processos de expansão pessoal, fomentados pela presença irradiante de tantos Tae, acarretavam como consequência a expansão da Consciência Coletiva e injetava informação em todos os espíritos da rede. Para a maioria, era uma grande bênção ter a oportunidade de conviver com seres tão conectados com o Fonte, enquanto para outrxs, que preferiam as sombras e ignorância, o espaço tridimensional tornou-se inóspito.

A preponderância do Yang em detrimento de Yin pouco a pouco excluía possibilidades e achatava a faixa de frequência do planeta. A iluminação tornava-se inevitável, sobrepondo-se à Lei do Livre Arbítrio, um dos sustentáculos básicos da terceira dimensão (universo físico). Muitos mestres entendiam o processo como uma evolução natural da Grande Realidade, que não suportava mais vibrações como a solidão, a violência e o medo, enquanto outros a definiam como ditadura, censura e perseguição. Estes ficaram conhecidos com os “Densos” e lutaram com todas as forças pelo direito de deleitar-se na matéria.

Quem poderia imaginar que todo aquele amor seria trágico? A Fraternidade Galáctica entrou em conflito com a cobrança de importantes linhas espirituais pelo respeito às leis divinas e a garantia de liberdade vibracional. O racha entre as forças cósmicas tornou-se definitiva quando a ignorância (ou escuridão) foi temporariamente banida em pelo menos 13 faixas de frequências, transmutando colônias espirituais inteirais. A partir dali, uma verdadeira guerra tomou conta não só do Planeta Azul, mas de toda terceira dimensão.

Num movimento de autopreservação, muitos Densos, das mais variadas espécies, juntaram-se em camadas sutis da existência e alí passaram milênios buscando formas de reencarnar em corpos físicos. A união das magias obscuras estava focada em fazer os espíritos encarnados no universo físico voltarem a produzir espontaneamente os sentimentos que alimentavam as colônias banidas. Depois de muitas invasões, batalhas e todo tipo de transgressão de leis espirituais, finalmente o coração de cristal do planeta foi atingido.

Pela necessidade de ser mais veloz que a Luz, os Densos desenvolveram veículos espaciais avançadíssimos, com tecnologia capaz de desmaterializar grandes quantidades de energia e transportá-la pelas dobras do universo. No dia da “Grande Fumaça”, incontáveis naves aportaram em cada vértice da grade cristalina da Terra e bloquearam a malha de proteção planetária. Extremamente disciplinadas, as forças densas passaram a avançar no espaço-tempo e dominar largos territórios. Quanto maior era fonte de energia, mais poderosas eram as técnicas de controle de frequência e rapidamente uma nova malha protetiva foi implantada, desta vez para impedir a canalização das entidades Tae.

O equilíbrio entre + e - foi novamente quebrado. Ao retomar seu direito de existir, as frequências Densas trataram de se vingar e apagar da memória do planeta o legado da era iluminada. Grande parte do conhecimento foi perdido pela morte dos indígenas das américas e oceania, dos místicos europeus, dos xamãs russos, das tantas tribos africanas, dos rishis hindus e monges tibetanos. Também foram implantadas crenças falsas para impedir a expansão da consciência como a negação da reencarnação, o capitalismo e o patriarcado, além da destruição de centenas de bibliotecas, centros espirituais e obras de artes.

Muitas outras engenhocas foram desenvolvidas para bloquear o fluxo de canalização das energias Tae e uma nova forma de viver foi implementada no planeta, pautada na busca por prazer e o acúmulo de riqueza. Desde a alimentação até o barulho dos veículos, tudo foi pensado para evitar o autoconhecimento e o retorno das Tae. Neste novo período, conhecido como Kali Yuga, a entrada de Luz no planeta está condicionada a poucos vislumbres criativos aqui e acolá. A camada de energia densa instaurou uma eterna sensação de ansiedade, dominante também entre as gerações mais jovens. Ferramentas de conexão, como a meditação e o jejum, foram substituídas pelo consumismo e a obsessão sexual, estabelecendo o padrão vibracional do sofrimento.

Não demorou muito e veio o Caos. Depressão, surtos, TOCs (Transtornos Obsessivos Compulsivos) e todo tipo de desequilíbrio mental tornaram-se padrão pelo globo, mesmo nas mais “prósperas” nações. Incapazes de desvendar a razão do seu sofrimento, os terráqueos entraram numa profunda espiral negativa, carregando consigo muitos Densos para prisões mentais que nem eles mesmos sabiam desvendar. Por fim, falta de sentido existencial transformou a Grande Nave Azul num bloco de rochas a vagar pelo universo- cenário apocalíptico que perdura até os dias atuais.

Restou, então, a oportunidade de refletir. O funcionamento das Leis Universais, a natureza das dimensões, a dança de Ying e Yang e tantos outros aprendizados foram motivos de profundas discussões na Nova Fraternidade Galáctica, dominada pelos Tae. Concluiu-se que o grande erro do passado foi negar a escuridão e tentar suprimir a dualidade, forçando os seres a “evoluírem” sem a busca pessoal. O segredo da terceira dimensão, na verdade, reside no equilíbrio dinâmico entre os opostos- uma moeda não pode ter apenas uma face.

Num desses debates, a jovem pleiadiana conhecida como Mag questionou-se “Então ficaremos aqui sentados, do alto de nossa sabedoria, observando a Terra transformar-se num buraco negro? Cabe a nós, seres iluminados, criar uma nova forma de existir na Terra, onde Luz e Escuridão unam-se no Caminho do Meio”. Aquele discurso reverberou intensamente na Fraternidade. Quem teria coragem de encarnar no planeta-sofrimento? Como uma entidade iluminada poderia lidar com tanta ignorância? Foi criado então o grupo de estudo chamado “A Resistência”, onde algumas poucas entidades passaram a formular planos de retorno à Terra.

De início, o grupo era formado por não mais de 15 jovens Tae. Os Grandes Mestres Ascensionados observavam a movimentação com certa desconfiança, apesar de reconhecerem a coragem e o altruísmo juvenil. Os estudos avançaram através de simulações, mapeamento de zonas menos densas e dos mecanismos de expansão da consciência disponíveis na Terra, como mantras e substâncias alucinógenas. As pesquisas em si já ativaram capacidades criativas desconhecidas e despertaram o interesse da Fraternidade, mas ainda faltavam muitas respostas.

Parte fundamental do plano foi a criação de uma linguagem estelar capaz de ser reproduzida por ondas sonoras na Terra. Seria utilizada como fonte de comunicação entre as entidades encarnadas e as desencarnadas, camuflando-se como música para despistar os Densos. Além disso, a linguagem é capaz de gerar um poderoso “Transe Psicodélico”, onde as entidades da Resistência podem ter vislumbres da missão e de sua realidade espiritual. Com a chegada do “PsyTrance”, os Mestres Ascensionados empolgaram-se com a possibilidade de enviar bênçãos ao planeta sem a necessidade de sua presença física, fato inédito desde a criação da malha protetora dos Densos. A partir daí, os planos ganharam mais e mais adeptos e a missão Terra recebeu status de realidade.

A fase final de planejamento veio com articulação dos chamados “pré-acordos”- compromissos espirituais firmados entre as entidades para garantir que, depois de encarnar e receber o “Véu do Esquecimento”, seguissem integradas na missão mesmo sem se lembrar conscientemente de suas vidas passadas. Os pré-acordos serviam como um “imã” entre as entidades para atrair suas histórias de vida, por exemplo, seriam familiares, colegas de trabalho, casais, ou apenas se encontrariam em algum momento.

Uma árdua e complexa jornada estava por vir. Os desafios eram inimagináveis, mas as Resistentes carregavam consigo um cristal de sabedoria que dizia: “A vida material é uma manifestação pessoal. Neste plano, não há vítimas, não há culpa, tudo vem de dentro. Só depende de nós”.

© Coletivo BoiKOT

Produção cultural psicodélica, festival visionário, boikot

Recife, Pernambuco, Brasil